“As mulheres falam demais”: Proposta de aula de leitura pela perspectiva decolonial
Discurso; Violência linguística; Mulher
A presente pesquisa propõe investigar como discursos depreciativos acerca da mulher são produzidos e ressignificados em práticas sociais e educacionais. Nesse contexto, questiona-se: De que forma a escola desenvolve uma leitura crítica e reflexiva acerca de discursos cristalizados que são produzidos, reproduzidos e legitimados, contribuindo para a manutenção de estereótipos de gênero dentro e fora da sala de aula? Para tanto, a análise concentra-se em enunciados circulantes em diferentes contextos discursivos. O estudo fundamenta-se em uma abordagem qualitativa e interpretativa (Denzin e Lincoln, 2006), valendo-se da análise de conteúdo (BARDIN, 2020), cuja dimensão interpretativa é enriquecida pelas contribuições de Applegate (2002), Moita Lopes (2004) e Landulfo e Matos (2022) com o objetivo de compreender de que maneira o discurso corrobora estereótipos cristalizados em torno da ideia de que “a mulher fala demais”. A pesquisa insere-se em um contexto em que, apesar dos avanços nos debates sobre desigualdade de gênero, ainda persistem práticas discursivas que silenciam e desqualificam a figura feminina (BIROLI, 2018; CRENSHAW, 1991). Esse processo, identificado por Baptista (2022) como colonização da linguagem é capaz de acarretar na colonialidade do ser (COUTO; JOVINO, 2022), na medida em que restringe identidades e interditam comunicativamente os sujeitos. As análises iniciais indicam que esse tipo de prática discursiva contribui para a naturalização de estereótipos de gênero, demandando uma reflexão crítica no campo educacional e social. Como contributo, o estudo oferece subsídios para a compreensão da violência linguística em sua dimensão simbólica, denuncia práticas institucionais que legitimam desigualdades, favorece a construção de saberes insurgentes que podem ser incorporados em práticas pedagógicas críticas e fortalece o debate sobre equidade de gênero no âmbito educacional e social.