Banca de QUALIFICAÇÃO: ELOÁ MARCELE NASCIMENTO LACERDA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ELOÁ MARCELE NASCIMENTO LACERDA
DATA : 02/07/2024
HORA: 15:00
LOCAL: remoto
TÍTULO:

ELAS POR ELAS: MULHERES ENCARCERADAS E A ARTE COMO POSSIBILIDADE DE AGÊNCIA E AUTODEFINIÇÃO


PALAVRAS-CHAVES:

Encarrceramento, inequidades estruturais, agência, corporeidades


PÁGINAS: 50
RESUMO:

O aumento do encarceramento feminino tem sido uma preocupação crescente no Brasil nos últimos anos, e grande parte desse fenômeno está diretamente ligado ao envolvimento de mulheres no crime de tráfico de drogas. Notavelmente, as mulheres negras têm sido as mais impactadas por esse processo, enfrentando desproporcionalmente as consequências das políticas de combate às drogas. No entanto, o encarceramento dessas mulheres parece não fazer sentido diante da sua posição nas redes criminosas. Em muitos casos, as mulheres não ocupam posições estratégicas ou de liderança nesses grupos, mas acabam sujeitas a penas mais severas do que os homens envolvidos nas mesmas atividades. Esse cenário levanta questões sobre a eficácia e a justiça do sistema penal brasileiro, evidenciando a necessidade de uma abordagem mais cuidadosa em relação ao encarceramento feminino. Patrícia Hill Collins argumenta que as mulheres negras, em particular, são frequentemente submetidas a formas específicas de opressão que as relegam a imagens (e espaços) de controle, onde as estruturas sociais dominantes as mantêm em posições de subalternidade. No contexto prisional, esses "espaços de controle" tornam-se evidentes, pois as mulheres negras enfrentam não apenas a punição pelo envolvimento em atividades ilícitas, mas também as consequências de um sistema que reproduz e perpetua desigualdades estruturais. Diante desses desafios, as mulheres negras submetidas aos espaços prisionais demonstram "formas de agência" conforme definidas por Collins que podem representar táticas de resistências criativas para lidar com as dificuldades do cotidiano nas prisões. Por meio de redes de apoio entre detentas, iniciativas de educação ou práticas culturais, essas mulheres buscam manter uma agência que lhes permita resistir à desumanização do sistema prisional. Este trabalho destaca a importância de reconhecer as formas de re-existência e organização das mulheres em tais espaços de controle, desafiando a narrativa unidimensional do encarceramento e incentivando a reflexão sobre formas mais justas e equitativas para lidar com o crime e suas causas estruturais, especialmente quando tratamos dessas corporeidades.


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 1657619 - ANITA LOUREIRO DE OLIVEIRA
Interna - 1946744 - ROBERTA CARVALHO ARRUZZO
Externa à Instituição - JOSELI MARIA SILVA - UEPG
Notícia cadastrada em: 03/07/2024 09:50
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