TRAJÉTORIAS NEGRAS: intersecção de raça, gênero e educação no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRRJ
mulheres negras, trajetórias educacionais, pós-graduação
A pesquisa tem como foco apresentar reflexão sobre a presença de mulheres negras no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Por meio das narrativas educacional e de vida de seis mulheres negras ingressas no mestrado (incluo-me nesse grupo), analisaram-se as questões que permeiam nossos corpos e identidades. Ao percorrer historicamente, observou-se que a situação da mulher negra na sociedade, especialmente na brasileira, é atravessada pela exploração, dominação e inferioridade. Nesta pesquisa recorremos a interseccionalidade como método de desobediência epistemológica. A resistência e a libertação que acompanham as reflexões do feminismo negro subsidiarão as análises. Ao analisarmos os eixos de opressões sofridas pelas mulheres negras desde o período escravagista até os dias atuais, observamos que as intersecções se colocam na trajetória de vida e educacional em diferentes momentos e espaços sociais, inclusive considerando aqui o espaço escolar e acadêmico, por onde nossas interlocutoras passaram a maior parte de suas vidas, os quais também são impactados pelo racismo estrutural e pelo sexismo, promovendo o apagamento, sub-representação e subvalorização, o que contribui para deslegitimar saberes e vivências negras. Como mostram os dados analisados neste estudo, percebe-se que o número de mulheres negras concorrendo ao programa de pós-graduação em Geografia (Mestrado) ainda é inferior quando comparado ao número de homens e mulheres brancas. Portanto, observou-se nesta pesquisa que o racismo estrutural e o sexismo atravessam à vida de mulheres negras no ensino superior, lançando-as às “duplas ou triplas opressões” (Anzaldúa,2000; Gonzalez, 2020) ao longo de toda sua trajetória, como revelam as narrativas de mulheres negras neste estudo, acarretando danos, prejuízos psíquicos e dificuldade de reconhecimento dentro do espaço acadêmico. Ao mesmo revela, um caminho de superação e resistência ao longo do percurso de violências racistas vivenciados por essas mulheres. A pesquisa buscou romper com metodologias unívocas, cristalizadas e que negligenciam as subjetividades das experiências de vidas negras, sendo guiada por uma perspectiva interseccional para analisar os eixos de opressões que envolvem a vida de nossas entrevistadas, mulheres negras ingressas no programa de mestrado. Sendo assim, o trabalho demonstra a trajetória de mulheres negras até a Pós-Graduação, retratando suas vivências e expectativas por mudanças através da educação. As narrativas revelam os efeitos do racismo estrutural e do sexismo no cotidiano. Bem como a necessidade da construção de políticas públicas de permanência, antirracista e emancipatória dentro da universidade.