GEOGRAFIAS DA EXCLUSÃO E TÁTICAS DE (RE)EXISTÊNCIAS: um olhar sobre mulheres-mães em situação de rua no espaço urbano do Rio de Janeiro
maternidades; rua; corpo-território; necropolítica; interseccionalidade
Esta pesquisa investiga acerca da intersecção entre a geografia crítica e os feminismos decoloniais para identificar as experiências e contextos de mulheres-mães em situação de rua em territórios periféricos do Rio de Janeiro. O objetivo é compreender as geografias que surgem a partir de processos de exclusão e, sobretudo, as táticas de (re)existência que essas mulheres constroem cotidianamente em um espaço urbano hostil. Argumento que, para estas mulheres, o corpo se torna o primeiro território fundamental para a resistência frente a um Estado que opera através da necropolítica e da negação do direito à maternidade de forma universal, tornando a própria sobrevivência um ato político. A metodologia, partindo de uma aproximação com o campo, assume uma postura crítica ao extrativismo acadêmico, optando por aprofundar a análise das estruturas de poder em vez de expor as artes de fazer da sobrevivência. A rua é, portanto, analisada não apenas como o lugar da carência, mas como um território usado (Santos, 1996) onde se tecem redes de afeto e se inventam micropolíticas insurgentes.