ENSINO DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: PRÁTICAS E DESAFIOS DO USO DO LIVRO DIDÁTICO NO MUNICÍPIO DE QUEIMADOS/RJ
Educação de Jovens e Adultos, Ensino de Geografia, Espaço Geográfico, Livro Didático.
A Educação de Jovens e Adultos, apesar de ser um assunto de extrema importância para a educação do Brasil, ainda é vista como um campo de discussão, prioritariamente, da pedagogia. Diante disso, esta pesquisa tem como finalidade de colaborar para discussão do Ensino de Geografia e a EJA, com um olhar sobre a prática do uso do Livro Didático na Baixada Fluminense, dando ênfase para o município de Queimados/RJ, trazendo para o debate a Geografia. Para tanto, o problema central nesta pesquisa é compreender como o uso do Livro Didático influencia na prática pedagógica dos professores de Geografia da EJA - VI fase, anos finais -, trazendo para o debate o conceito de Espaço Geográfico. Sendo assim, buscará consultar e analisar políticas públicas e programas de incentivo para a construção do Livro Didático e demais materiais didáticos de apoio, tomando como base a perspectiva de Freire (1989) em que a leitura do mundo precede a leitura da palavra, logo a leitura do Espaço Geográfico enquanto produto da construção social precede a leitura da própria Geografia. Como objetivo geral, intenciona compreender a relevância do Livro Didático para as práticas pedagógicas dos professores de Geografia da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município de Queimados/RJ, na Baixada Fluminense. O caminho metodológico adotado centra-se num Estudo de Caso através da análise qualitativa de referenciais teóricos do Ensino de Geografia, da Educação de Jovens e Adultos e da produção de Livros Didáticos. Serão realizadas entrevistas com os professores e questionário com a coordenadora da área no município de Queimados/RJ, além das consultas e análises às políticas públicas nacionais e municipais. Entende-se e trabalha-se nesta pesquisa o Espaço Geográfico como produção social, como bem nos indicaram autores como Henry Lefèbvre (2006) em sua obra A produção do espaço, Milton Santos (2021) na obra Por uma geografia nova Da Crítica da Geografia a uma Geografia Crítica e David Harvey (2007) em seu artigo intitulado O espaço como palavra-chave. Assim, busca-se refletir a respeito do Espaço Geográfico e a sua relação com o Ensino de Geografia para EJA nos livros didáticos, entendendo como resultado que ele é fundamental para ensinar Geografia nessa modalidade. Nesse sentido, como resultados, observou-se que as políticas públicas e programas para a EJA tiveram avanços e retrocessos, avanços nos governos populares de Lula e Dilma, e retrocessos nos governos de Temer e Bolsonaro. Além disso, ao discutir sobre o conceito de Espaço Geográfico relacionado a EJA através dos livros didáticos de Geografia, pode-se se constatar que apesar de ter ocorrido esforço para a construção e implementação deste, de modo geral, ainda não se adequa ao contexto daquela modalidade, sendo imprescindível que o Ensino de Geografia seja pensado como um meio e discutir o Espaço Geográfico a partir da visão dele como construção social, especialmente no que se refere ao ensino e aprendizagem dos alunos da EJA. Além disso, após realizar as entrevistas e questionários, pode-se identificar que o município tenta promover estratégias de implementação e permanência da modalidade, entretanto, a posição dos entrevistados a respeito traz divergências sobre o que é declarado nos documentos oficiais.