Racismo ambiental – reflexões e diálogos sobre o fenômeno no Morro da Oficina – Alto da Serra (Petrópolis –RJ).
Justiça Climática.
Racismo ambiental – desigualdade sócio-espacial – geossistemas – produção capitalista do espaço – raça.
Este trabalho analisa o racismo ambiental em Petrópolis, relacionando a
ocupação desigual do espaço urbano às dinâmicas do capital e à lógica neoliberal.
Com base em Guy Debord, observa-se que a cidade é construída também de forma
simbólica, por imagens de progresso que ocultam a precariedade das áreas
marginalizadas. A população negra, historicamente empurrada para encostas e
regiões vulneráveis, é afastada dos territórios centrais, revelando como desigualdades
raciais e históricas se materializam no espaço urbano.
As reflexões de David Harvey em A loucura da razão econômica mostram
como a “razão econômica” naturaliza a lógica do mercado e legitima políticas que
ampliam a exclusão social. O crescimento capitalista, tratado como algo racional e
inevitável, concentra riquezas, precariza vidas e transforma crises em parte estrutural
da sociedade. A tragédia do Morro da Oficina, em 2022, evidencia essas
desigualdades: eventos climáticos não afetam todos igualmente, pois decisões
históricas, econômicas e simbólicas definem quem vive em segurança e quem segue
exposto aos riscos.
Para Lélia Gonzalez em Lugar de Preto existe um olhar diferente para pessoas
com pele negra, tornando-as alvo, no caso do livro citado, seria alvo da polícia, mas o
negro, também torna-se alvo de diver fatores que o circundam afim de o restringir ao
que escasso e subserviente, como é o caso desta pesquisa, onde negros são os
maiores alvos dos eventos naturais e os que não recebem a devida condicção de
moradia e bem estar adequado.