Análise morfométrica associada à dinâmica de uso cobertura da terra na bacia hidrográfica do Rio da Guarda- RJ para detectar a suscetibilidade de ocorrência de enchente
Bacia Hidrográfica, Morfometria, Sensoriamento Remoto e Classificação de Imagens Orientada ao Objeto Geográfico (GEOBIA).
Todos os anos, em especial no período úmido e chuvoso do verão, as chuvas torrenciais que atingem a bacia hidrográfica do Rio da Guarda geram diversos transtornos para a população por conta dos episódios recorrentes de enchentes. Dessa maneira, faz-se necessária uma investigação sobre os aspectos físicos, assim como a dinâmica histórica e socioespacial decorrente do modelo de uso e cobertura da terra para identificar os processos que ocasionam as enchentes nessa bacia de drenagem. A área de estudo apresenta modificações na rede de drenagem que datam desde o período colonial com a abertura, dissecação e transposição dos canais. O Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) no período de 1930 a 1940 também corroborou para modificações de diversas bacias hidrográficas no Rio de Janeiro, entre elas a bacia hidrográfica do Rio da Guarda com a abertura de canais, retificação e canalização de rios, assim como os cortes para abertura de estradas e rodovias. O modelo de uso e cobertura da terra também foi um fator de extrema importância para os recorrentes episódios de enchentes, pois a urbanização sem planejamento contribui com o fenômeno por causa da impermeabilização que dificultada o escoamento das águas e a canalização dos rios que aumenta a vazão. A análise morfométrica de forma sistematizada é importante para o estudo de bacias hidrográficas, pois possibilita a compreensão detalhada sobre as características físicas dessas bacias de drenagem, especialmente as suas condições com relação às dinâmicas fluviais que levam à ocorrência de enchentes e inundações. Além do estudo referente à característica física da bacia hidrográfica, a análise sobre a dinâmica espacial do uso e cobertura da terra é capaz de identificar as modificações ocorridas ao longo da história que modificam a dinâmica de escoamento, infiltração e vazão dessas águas, intensificando os processos de enchentes na área. A metodologia desta pesquisa foi desenvolvida em dois momentos distintos: A análise dos parâmetros morfométricos se baseou em estudos elaborados por Christofoletti (1969; 1980), que apresenta metodologia de análises linear, areal e hipsométrica, assim como os estudos realizados por Villela e Mattos (1975); Nos resultados sobre uso e cobertura da terra serão utilizadas as imagens do Sensor Landsat 5 e 8, da órbita-ponto 217-76, que abrange a Região Metropolitana do Rio de Janeiro referente às datas 30 de Maio de 1984 (Criação do Porto de Itaguaí), 16 de junho de 1996 (Emancipação de Seropédica) e 12 de maio de 2018 (Dias atuais). A correção atmosférica utilizada nas imagens será desenvolvida com base no modelo 6s e classificadas no programa Envi com base na metodologia de imagens orientada ao objeto geográfico (GEOBIA). Como resultado desta pesquisa, espera-se que a caracterização morfométrica identifique os parâmetros que são naturalmente suscetíveis a enchentes. Além disso, os dados referentes ao uso e cobertura corroborarão com as análises desses parâmetros por ser uma análise multitemporal, pois permite identificar as modificações que ocorreram na área de estudo.