ENSINO DE GEOGRAFIA PARA SURDOS: (RE)PENSANDO ALGUMAS PRÁTICAS PARA A ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA
Surdez, Ensino de Geografia/Cartografia, Políticas de Educação Inclusiva, Alfabetização Cartográfica, Estratégias Específicas de Ensino
Nas duas últimas décadas as discussões sobre o ensino inclusivo têm se intensificado no Brasil, transformando estruturalmente as escolas e a própria prática docente. Diante de tais transformações, como o professor de Geografia tem se adaptado e/ou pode se adaptar para ensinar a um público cada vez mais diverso? Tendo isso em vista, buscamos compreender como está se realizando o ensino de Geografia em escolas inclusivas visando o aprendizado de discentes surdos, focando-nos especialmente no conteúdo da alfabetização cartográfica. Reconhecendo a relevância da Geografia e da Cartografia para a formação do sujeito e a baixa produção acadêmica nessa área específica, esta pesquisa aplica metodologias sobre alfabetização cartográfica, utilizando-as para a elaboração de material voltado para estudantes com surdez (incluindo também ouvintes). O objetivo geral da pesquisa é analisar o processo de ensino-aprendizagem de alunos surdos com base no material didático sobre alfabetização cartográfica em perspectiva bilíngue. A metodologia é qualitativa, recorremos ao referencial bibliográfico sobre educação inclusiva, ensino de geografia e cartografia escolar. Entrevistamos professores de geografia e aplicamos um Caderno de Atividades com alunos surdos e ouvintes em quatro turmas do Ensino Fundamental II da Escola Municipal Monteiro Lobato, na cidade de Nova Iguaçu – RJ. Observamos a utilidade de materiais didáticos específicos no cotidiano de sala de aula em perspectiva bilíngue (Libras e português escrito) e a relevância de produzirem mapas mentais do espaço escolar para aprender noções de geografia e cartografia para surdos. Observamos que os materiais elaborados especificamente para surdos, pode ser utilizado também pelos ouvintes. A Cartografia Escolar é, ela mesma, ponte entre Educação, Geografia e Cartografia. Falar sobre Cartografia e surdos é, sobretudo, questão de linguagem e sobretudo mais um desafio rumo a uma educação mais inclusiva na Baixada Fluminense.