Desesperança em Universitários do Estado do Rio de Janeiro: O Papel Protetivo das Habilidades para a Vida, Autoeficácia e Controle Percebido sobre a Vida
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O ingresso e a permanência no ensino superior têm sido acompanhados por desafios acadêmicos, sociais e emocionais, tornando a desesperança um fenômeno relevante para a compreensão do sofrimento psíquico entre estudantes universitários. Nesse contexto, habilidades para a vida, autoeficácia percebida e controle percebido sobre a vida têm sido apontados como recursos psicológicos relacionados à adaptação e ao enfrentamento das adversidades. Este estudo teve como objetivo investigar a influência desses recursos nos níveis de desesperança em estudantes universitários do estado do Rio de Janeiro. Trata-se de uma pesquisa empírica, quantitativa, de delineamento descritivo-correlacional e transversal, realizada com 232 estudantes universitários. Os dados foram analisados por meio de estatísticas descritivas, testes de comparação entre grupos, análises correlacionais, análises fatoriais confirmatórias e modelagem por equações estruturais (MEE). Foram identificadas associações negativas entre desesperança e autoeficácia percebida (r = −0,221; p < 0,001), controle percebido sobre a vida (r = −0,198; p = 0,002) e habilidades para a vida (r = −0,320; p < 0,001), sendo esta última a associação de maior magnitude. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas segundo o sexo, enquanto idade, condição de trabalho e tipo de instituição apresentaram resultados diferentes em parte das variáveis investigadas. Na MEE, as habilidades para a vida exerceram influência positiva sobre a autoeficácia percebida (β = 0,85) e o controle percebido sobre a vida (β = 0,41), além de influência negativa sobre a desesperança (β = −0,44). Em conjunto, os resultados evidenciam a posição central das habilidades para a vida no modelo investigado, particularmente por sua influência positiva sobre a autoeficácia percebida e o controle percebido sobre a vida e negativa sobre a desesperança. Os achados ampliam a compreensão integrada dos recursos psicossociais relacionados à desesperança e oferecem subsídios para futuras investigações e para estratégias de promoção da saúde mental no ensino superior.